Desde pequeno eu gostava de perguntar,
de ler... na verdade adorava descobrir coisas e entender o mundo ao meu redor.
Era incentivado a estudar a todo tempo, por um lado minha mãe me habituava à
leitura e, por outro lado, meu pai me ajudava a trabalhar os números, ambos me
mostraram o quão importante e interessante é o conhecimento, acredito que seja
este o principal motivo a ter me levado a querer e também a cursar medicina,
mas não foi assim tão simples.
Ainda criança, comecei a desenhar
fachadas e plantas, adorava pegar os classificados para verificar as plantas,
neste período tive o meu “primeiro amor”, era a arquitetura. Mas problemas
familiares levaram meus pais a se separarem, retornarem a sua terra natal,
Lavras Ceará, e a reatarem o casamento. Essa mudança de ares mudou muito a
minha vida, eu era inocente se comparado às outras crianças de mesma idade,
sofri bulling por causa da minha origem, no entanto, meus professores eram mais
próximos e valorizam muito meu apreço ao conhecimento. Espelhei-me nos meus
professores, com falta de acesso aos classificados somada a valorização das
profissões mais rentáveis, dado que meus professores viam meu potencial, tudo
isso me levou a querer cursar medicina.
Cursei o ensino médio num internato,
era a melhor opção, pois com 14 anos já pretendia ter um futuro diferente da
expectativa das pessoas de Lavras, também anseiava por morar num lugar maior e
longe das constantes brigas que presenciava, tanto que em menos de um mês fora
de casa meus pais se divorciaram.
Durante o ensino médio sofri bastante,
era difícil conviver com outros rapazes sem ter quase nenhum conforto, tanto
que me revoltei... os instrumentos da minha revolta eram o afastamento da minha
família e a valorização da filosofia, foi neste momento que desisti de medicina
pela primeira vez, pois ao concluir o ensino médio de forma relapsa não seria
capaz de conseguir passar no vestibular e com a minha nota do Enem o melhor
curso que pude cursar foi enfermagem.
Escolhi enfermagem para agradar a
minha família, em nenhum momento tinha pensado em mim, queria apenas continuar
estudando longe dos meus pais, e então fui para Campina Grande, onde morei até
concluir o curso. Passei por dificuldades, foram anos difíceis, tive Depressão,
mas foi quando consegui entender a minha vida, percebi o quão sofrível era a
vida das pessoas que precisam de saúde. Durante o curso ainda muito me agradava
estudar o corpo humano, mas ainda não estava satisfeito com enfermagem.
Ao retornar a casa da minha mãe,
consegui trabalhar como professor do curso técnico em enfermagem e me
surpreendi com a docência, foi natural ensinar e assim passei dois anos da
minha vida, durante este tempo sempre fazia o Enem, ainda fui aprovado para
psicologia, e depois para engenharia. Neste ano tinha decidido cursar
engenharia biomédica, passei na primeira chamada na UFPE no Recife, mas
surpreendente fui chamado e aprovado na segunda chamada de medicina em Caruaru,
e agora estou seguindo o meu sonho.
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